segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Aquele rapaz (Autoria: Takê Zocratto)

Depois de dias e mais dias lembrando você, como uma criança fascinada por um brinquedo novo, não tirava sua imagem da minha cabeça. Mesmo sendo torturante era algo muito maior que eu. Se tivesse algum antídoto capaz de deletar... ah se tivesse! Não hesitaria em tomá-lo. Mesmo que pudesse fazer algum mal, ao menos a incessante lembrança passaria.
Então, eu sabia que algo aconteceria. Tive novamente aquela sensação de que algo iria acontecer, e não, eu não estava errada. Era uma certeza que eu já havia tido antes. Me preparei, sim, eu me preparei para que o impacto não dilacerasse tanto minha mente, para que a ar não me faltasse, para que não ficasse trêmula, para que não sentisse aquela imensa vontade de conhecer Deus de perto. Mas de nada adiantou. De longe avistei uma face a qual conhecia cada centímetro.Era a mesma das minhas lembranças. Fiquei estática, paralisada, não falava, só queria sair dali o mais rápido possível, mas não conseguia me mover. Relutei contra meus próprios olhos para que nenhuma lágrima viesse salgar minha boca,e quando eu mais quiz que meu coração parasse ele insistia em bater em um rítimo frenético que parecia destruir tudo o que havia por perto. Vozes se tornaram ruídos, pessoas vultos. Segundos pareciam horas e nossos olhos não desviavam a atenção para outro lugar. Eles se engoliam a cada segundo.Só conseguia ver em minha frente aquele rapaz... Então encarei pelo último segundo aqueles olhos famintos, me virei e senti que se eu morresse naquele exato momento, eu teria finalmente encontrado o tão sonhado antídoto.

2 comentários:

  1. Nat Nat Nat. Adoro os seus textos. A forma como vc expressa seus pensamentos e emoções é de uma clareza poética linda. Continue sentindo e escrevendo sempre.

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